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O CRÉDITO E O RISCO MORAL

 

Prof. Msc. Hugo Eduardo Meza Pinto(1)

Já pensou ser seguido nas ruas por homens vestidos de amarelo com os dizeres ”a pessoa que seguimos não paga suas dívidas”?

 

Existe um exemplo de sistema de financiamento para classes menos favorecidas no mundo subdesenvolvido, é o Banco dos Pobres. Idealizado em 1976 pelo professor universitário Muhammad Yunus na índia esse banco caracteriza-se por emprestar dinheiro através de micro créditos aos menos favorecidos. Hoje a idéia foi exportada a mais de cem países e constitui para o Banco Mundial um modelo de financiamento para o terceiro mundo.

O mecanismo de empréstimo é simples, qualquer grupo de pessoas com intenções de desenvolver pequenos negócios pode aceder ao crédito, o que garante o sucesso do Banco é o compromisso dessas pessoas em devolver o dinheiro emprestado. E dá certo, estatísticas do Banco Mundial demonstram que 75% de pessoas de baixa renda colocam como relevante a quitação de dívidas contraídas por que zelam pelo seus nomes perante a comunidade. Uma diferença substancial deste sistema com o mercado financeiro tradicional é que o segundo é muito impessoal e carece de características punitivas humanas que existem no primeiro. Afinal quando qualquer pessoa acede ao sistema financeiro tradicional tem como cobrança um sistema regulamentador jurídico. No Banco dos Pobres a cobrança vai além do jurídico é a comunidade observando e garantindo a retro alimentação do crédito. Quantas vezes ouvimos que nas favelas o índice de assaltos e roubos é baixíssimo devido à punição da comunidade. Ou seja, o risco moral de dar calote entre pobres é muito alto.

Em recente visita que fiz ao Peru fiquei sabendo de mecanismos de cobrança de créditos interessantes. Explicavam-me que a idéia do Banco dos Pobres era bastante difundida, porém, a preocupação da comunidade para evitar calotes era maior ainda. E é que os caloteiros eram seguidos pelas ruas da cidade por pessoas vestidas de colete amarelo com os dizeres: “A pessoa que estamos seguindo não paga suas dívidas”. Esses homenzinhos amarelos seguiam suas vitimas até em lugares públicos como bares, cinemas, festas etc. e às vezes eram vítimas de agressão.

Mesmo que achasse interessante e agressiva essa maneira de cobrar não poderia negar sua eficácia. O nível de inadimplência era baixo (em torno de 3%) e a sustentação do sistema garantido. 

O que mais chama a atenção de tudo isto são os mecanismos de defesa que são criados em sociedades carentes para garantir a sustentação do sistema, já pensou se existissem esses mecanismos no sistema financeiro tradicional?

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(1) Coordenador e Professor do curso de Economia com ênfase em Estratégia & Negócio$ das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba - Inove.

- A JANELA ECONÔMICA - INOVE, é um espaço de divulgação das idéias e produção científica dos professores, alunos e ex-alunos do curso de economia das Faculdades Integradas Santa Cruz - Inove.


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