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RELAÇÕES INTERNACIONAIS
BRASIL: DO SONHO DA HEGEMONIA REGIONAL À CRUA REALIDADE DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Postura imperialista do Brasil pode onerar seus principais negócios internacionais

Prof. Msc. Hugo Eduardo Meza Pinto
Msc. Hugo Eduardo Meza Pinto – meza@unicenp.br
Na primeira semana do mês de maio foi realizada em Brasília a Cúpula América do Sul-Países Árabes. O resultado dessa reunião, além de compromissos comerciais, foi a assinatura de um documento de apoio à criação de um estado árabe e de repúdio à intervenção militar dos Estados Unidos e países aliados. O Brasil assinou embaixo.
Esse fato faz parte de uma série de tentativas para focar os holofotes hegemônicos sobre o Brasil não bastasse a falida tentativa de eleger Luiz Felipe de Seixas Correa para a secretaria da Organização Mundial do Livre Comércio (OMC), a intervenção unilateral do Itamaraty na expulsão do ex-presidente equatoriano Lúcio Gutierrez e a incessante procura, a todo custo, de votos pela cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A busca do Governo Lula por tentar mudar a geografia econômica mundial dá mostras significativas de desgaste e antipatia, não somente dos Estados Unidos e aliados, como também do principal sócio na região: a Argentina. Essa mesma reunião de Cúpula foi abandonada pelo presidente argentino Nestor Kirchner faltando um dia para seu encerramento e as mostras do seu desanimo foram evidenciadas na afirmação de que o sentido político desse encontro tinha se esgotado. Já no seu país Kirchner, acusou o Brasil de querer concentrar a maior quantidade de indústrias na América Latina: “Não existe Mercosul com um só país industrializado” disse ele. Essas evidências fazem parte das falhas da política de relações internacionais do Brasil. Se por um lado, a prioridade dessa política é fortalecer o Mercosul e os países da Comunidade Andina das Nações (CAN), por outro, ela onera esse mesmo objetivo com a procura incessante da chamada hegemonia internacional. O Brasil, assim como a maioria dos países latino-americanos, dependem significativamente dos grandes mercados mundiais e qualquer tentativa de desestabilização das relações comerciais e políticas podem resultar em altos custos, principalmente, de acesso a esses mercados.
Apesar da importância de procurar novos mercados, a forte dependência econômica da CAN e do MERCOSUL pelos grandes centros consumidores pode ser observada nos gráficos 1 e 2. Enquanto que os principais destinos das exportações do CAN são Nafta e União Européia, 47% e 12%, respectivamente, para o MERCOSUL, o Nafta e a União Européia representam 26% e 22% do destino das suas exportações, respectivamente.
Nesse sentido, o processo de integração regional imaginado pelo libertador da América espanhola Simon Bolívar que era criar um mercado comum coeso, capaz de fazer frente a mercados desenvolvidos e organizados, ainda depende fortemente da configuração econômica e política mundial vigente. Por outro lado, não cabe ao governo brasileiro assumir diretamente a responsabilidade de estabelecer políticas e procedimentos dentro do marco das relações internacionais que possam desestruturar a base frágil existente de integração nos blocos da América Latina. Pelo menos não à força.
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