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A TAXA DE JUROS MUNDIAL E A FÁBULA DAS ISCAS

Prof. Msc. Hugo Eduardo Meza Pinto(1)
Sobre o comportamento dos capitais financeiros em relação às taxas de juros
Imagine-se ser um peixe, agora responda: se tiver que escolher uma isca, por que tipo de isca você optaria? Sem dúvida seria a mais apetitosa, a mais consistente e a mais garantida. Pois bem, a taxa de juros internacional funciona como uma isca utilizada pelos países (pescadores) para atrair capitais internacionais de curto prazo e, assim, resolver, momentaneamente, seus desequilíbrios financeiros. Acredita-se que os capitais financeiros agem como peixes atrás de iscas apetitosas no mundo inteiro, por isso a espera por elevações nas taxas de juros das economias mundiais. Na terça-feira 22 de março, o Banco Central americano (FED) aumentou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual devido a pressões inflacionárias da sua economia. Isto provocou uma fuga em massa de capitais financeiros dos países emergentes, incluindo o Brasil, em direção à economia americana, provocando uma certa valorização do dólar perante o euro. Esse tipo de comportamento pode ser entendido, dentro da nossa fábula das iscas, como peixes (capitais financeiros) procurando iscas mais atraentes (taxa de juros garantidas e confiáveis). No Brasil os impactos foram instantâneos: a procura do dólar provocou uma desvalorização da taxa de câmbio a qual chegou ao patamar de R$ 2,80, o Global 40, um dos principais títulos da dívida externa brasileira, despencou 2,01% e recuou a seu mais baixo valor em cinco meses. Os C-Bonds, títulos da dívida brasileira vendidos no mercado internacional, perderam 1,38%. O risco-país brasileiro foi aos 443 pontos, em alta de 1,6%, maior patamar desde novembro de 2004 e a Bovespa, teve seu segundo pior pregão de 2005 e fechou com perdas de 2,89% devido à desvalorização de várias ações.
No mundo, bancos administradores de fundos de investimento, como o JP Morgan e o Moodys, rebaixaram as recomendações pelos títulos dos países emergentes, causando assim, uma fuga em massa dos capitais financeiros desses países.
Depois disso, a tendência mundial é que as economias emergentes (incluindo o Brasil) tendam aumentar suas taxas de juros (iscas) na procura de bloquear a fuga do capital financeiro (peixes). Porém é importante ressaltar: não adianta aumentar o tamanho da isca se os peixes não as julgam confiáveis.
A fábula das iscas nos ajuda entender a (i)racionalidade do jogo financeiro mundial, na qual as economias estão envolvidas. A procura dos peixes por iscas é proporcional à procura dos capitais financeiros por taxas de juros garantidas e confiáveis.
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